Avaliação neuropsicológica de pré-escolares: por que fazer?

Por |2019-08-19T19:49:27+00:0019 de agosto de 2019|Uncategorized|0 Comentários

O período da primeira infância é um dos mais valiosos para quem trabalha com desenvolvimento. Na fase pré-escolar, de 3 a 5 anos, as crianças adquirem importantes habilidades sociais, apresentam melhora nas capacidades de memória, iniciam a aprendizagem de habilidades precursoras para o bom desempenho escolar e começam a dominar melhor aspectos de controle comportamental. O interesse em se trabalhar com esta faixa-etária parte pelo pressuposto de que, se é possível identificar alguma dificuldade de maneira precoce, os efeitos das intervenções serão mais eficazes em resolver o problema ou em reduzirem o prejuízo em longo prazo.

Atualmente há um aumento da demanda por avaliação e intervenção em saúde mental para crianças pequenas. Esse fenômeno pode estar associado com o aumento da incidência de transtornos mentais na população de maneira geral, bem como à inserção cada vez mais cedo das crianças em pré-escolas, o que facilita a identificação de sintomas. O primeiro passo para acolher quem recorre aos serviços de saúde mental é identificar se existe ou não um problema, para em seguida definir o que deve ser feito. Para ajudar nesse processo, com frequência dispomos da avaliação neuropsicológica.

Os princípios da avaliação pré-escolar são os mesmos que norteiam a avaliação neuropsicológica como um todo: realizar a caracterização cognitiva e comportamental da criança para definir os encaminhamentos mais adequados. No entanto, o padrão de comportamento esperado para essa faixa etária compõe algumas peculiaridades. Dificuldades no controle das necessidades fisiológicas, dificuldade em ficar longe dos pais e o perfil comportamental e cognitivo desta fase da vida são possíveis obstáculos para o contexto de avaliação.

Nesta faixa etária, a abordagem deve ser necessariamente lúdica, e o avaliador deve ser mais flexível ao aplicar testes. Embora tenhamos cada vez mais disponibilidade de instrumentos para avaliação de crianças pré-escolares, mais do que para qualquer outra faixa etária, o neuropsicólogo deve lançar mão da realização entrevistas e escalas com os cuidadores e professores para traçar o perfil da criança, além de buscar fazer observações comportamentais através de brincadeiras semiestruturadas e livres, observação da interação da criança com os pais, além de observar a criança fora do contexto da clínica, quando possível. Para além disso, conhecer a fundo sobre desenvolvimento infantil é essencial para quem trabalha com crianças pré-escolares.

O que avaliar em crianças pré-escolares?

Para crianças pré-escolares, podemos realizar a avaliação de aspectos desenvolvimentais, além de realizar avaliação de domínios cognitivos específicos. Também é possível avaliar sintomas psicopatológicos.  Para esta faixa etária, já é possível avaliar inteligência, memória de curto-prazo, funções executivas (FE) e atenção, teoria da mente e habilidades visuoconstrutivas e visioespaciais, além da linguagem e motricidade. Além disso, a testagem de habilidades pré-acadêmicas também já é possível. Neste período, não é feito o diagnóstico de Transtornos Específicos de Aprendizagem, mas é possível avaliar preditores de bom desempenho acadêmico, e trabalhar de maneira preventiva. Ainda, alguns transtornos, como o TDAH e os Transtornos de Linguagem, apresentam nível importante de comorbidade com Transtornos de Aprendizagem na fase escolar. Sendo assim, é recomendável que se investigue habilidades pré-acadêmicas em crianças que apresentam queixas para essas psicopatologias.

O período da primeira infância é marcado por peculiaridades comportamentais que podem tornar o trabalho do neuropsicólogo mais complexo, mas os resultados são igualmente recompensadores. A avaliação neuropsicológica é indicada para esta faixa-etária quando a criança apresenta comportamentos que causam prejuízos relevantes na vida, e busca caracterizar as potencialidades e dificuldades da criança de modo a estabelecer métodos eficazes de intervenção. O objetivo final da avaliação neuropsicológica da primeira infância é apenas um: ajudar na intervenção precoce para garantir mais saúde mental ao longo da vida.

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